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As vozes sob ataque, soterradas, na poesia de Rafael Reginato

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imagem de http://reporterurgente.com/ - em 26/12/2012








Trabalho Vigilante
E se no meio de tanto papel e mesa
nós formássemos uma fortaleza
a cuspir amor de nossos canhões?
Haveria então chance de defesa
por trás das muralhas de ilusões?



Vozinha
Estalactites de pedra,
icebergs de asfalto.
O homem de ferro
concreta, concreta.
Sob telhado de vidro,
uma indigna cratera
olho aberto de basalto.
De lá dentro, soterrada,
como brita que cedeu, 
uma vozinha metálica:
o poeta que sobreviveu?



Poema de 4
I
Quem imagina subir escadas
pular degraus, chegar na frente,
desrespeita gravidade, esquece
que um só tropeço já é indecente

II
Quem vai subir de elevador
para chegar mais depressa
esquece que o último andar
é ainda céu sobre a cabeça

III
Paraglider, paraquedas,
normal ou paranormal
parada sem paradeiro
se o chão é parapeito

IV
Quem quer voar muito alto
pensando ser super-homem
logo se espatifa na grafia
que super ainda é homem


_____________________________
Rafael Reginatonasceu em Porto Alegre e vive atualmente em Florianópolis. É publicitário e bacharel em Letras. Publicou dois livros: "O Ponto G do Plínio" (Editora AGE)  e "Entreilha" (Editora da UFSC). Tem contos e poemas publicados em coletâneas regionais e nacionais.



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