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3 poemas de Charles Marlon

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Ilustração; Mary J.



O parapeito

Pausa. O caminho
mais curto entre

dois pontos. Calçada:
caminho e cama; onde

nascem certas canções?
Há pernas pra quem tro-

peça, a cara ao concreto,
regresso -propenso- ao real.

Cidade feita de festa, fatia
de feira e fachada. Há pregos

espalhados por onde me deito
e

pombas paradas no meu para-
peito.




O silente
para a Serena Assumpção

É melancolia tra-
vestida em violoncelista;
que agradece, ao fim, em
francês.

Uma língua em que nunca
estou, não sei, não sou:
não me
            comunica.

Na volta à casa,
re-
     torno sem
regresso,
antes,

- só e mal acompanhado -

Conjugado mesmo,
um quarto,
um doze avos,
dias fracionados...

for a changetheysay.

Tens aí:

outra
conta
que não
       sei.




Puzzle
Para o Camillo José

Topo, o vão
entre
prédio e
outro: vazio.

Vazado, vulgo,
boca-de-lobo;
restos de água e
coisa: matéria morta.

Fábrica falida,
ferida frente, mol-
dura: coisa moldada
a esmeril.

Demora:
aquilo que não
cansa
de ser.

-insaciável, diz-se do desejo-

A vida, dead end street,
no
interno: quebra-

cabeça, complexo,
com peças demais

ou de menos.



Poemas de RE TRATO, lançamento em breve pela Editora Patuá.



Charles Marlon, autor de Poesia Ltda (Patuá, 2012) e Sub-verso(Patuá, 2014), é poeta e, se tudo der certo, mestre em Literatura Portuguesa pela Universidade de São Paulo, tendo estudado a obra de Rui Pires Cabral. Nasceu no dia 10 de julho de 1990, em Osasco. Um outro canceriano sem lar.  

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