Fotografia:
matéria fria,
coisa de esquecer não
fosse a memória
- intermitente farolete-
visitante insistente de
quartos vagos vazios.
coisa de esquecer não
fosse a memória
- intermitente farolete-
visitante insistente de
quartos vagos vazios.
Sombras ampliam-se
na pequena extensão,
tudo tinta, representa
e não representa. Re-
presa, sem conter, o
real.
na pequena extensão,
tudo tinta, representa
e não representa. Re-
presa, sem conter, o
real.
A vida, ou tu (pra fingir
que pode escolher) tratou
de encher as bandejas, líqui-
do espremido, tal sal dos olhos,
suor de cílios mal vedados,
expostos ao deserto que
- real ou não- existe.
que pode escolher) tratou
de encher as bandejas, líqui-
do espremido, tal sal dos olhos,
suor de cílios mal vedados,
expostos ao deserto que
- real ou não- existe.
Resto: aquilo que fica quando
já findou a festa. Uma bota aban-
donada no bunker tardio, leito de
rio seco, chave deixada na fecha-
dura, por fora:
deserção.
já findou a festa. Uma bota aban-
donada no bunker tardio, leito de
rio seco, chave deixada na fecha-
dura, por fora:
deserção.
Em suma, a ilusão do rebobino,
a redundância da luz sanguínea,
velando a via que não se vê além
da janela que não há.O quarto es-
curo:
a redundância da luz sanguínea,
velando a via que não se vê além
da janela que não há.O quarto es-
curo:
nenhuma revelação.
Charles Marlon Porfirio de Sousa é poeta e mestrando em Literatura Portuguesa – poesia contemporânea - pela Universidade de São Paulo- USP. Em julho de 2012, publicou seu livro de estreia, Poesia Ltda., pela editora Patuá e em junho de 2014 seu segundo livro, Sub-verso, também pela Patuá.